Flash fora da câmera.
Posted in Conversa Fiada, Trabalhos da Lira, diy, iluminação, strobist, técnica on March 30th, 2011 by Rafael Resende – 5 CommentsEu gosto de dizer que fazer a exposição de uma foto é como encher um balde de água. E não é só enchê-lo. Tem que ser exatamente até a borda. Nem uma gota a mais, nem uma a menos.
A água, nessa metáfora, equivale à luz. Não encher totalmente o balde significa uma foto sub-exposta (nome fresco para “foto escura”, onde falta luz). Transbordar o balde significa sobre-expor a foto (foto “estourada”, com excesso de luz). Claro, toda regra deve ser quebrada quando valer a pena.
Gosto de usar flashes dedicados fora da câmera, no modo manual, justamente pela liberdade que eles dão ao lidar com essa regra do “balde”. Nós quebramos essa regra o tempo todo, com partes da cena. No exemplo abaixo, apesar de o assunto principal estar iluminado “corretamente”, alguns pedaços da foto estão escuros “demais”. No outro, claros “demais”.

Exemplo de foto propositalmente mais escurinha, que fica com um ar de mistério. Existem áreas completamente pretas, que não registraram detalhe nenhum. Já dizia o Joe McNally: "Se você quer deixar algo mais interessante, não o ilumine por completo."

...Ou não! Danem-se as sombras, se não forem necessárias! E se eu quiser uma foto tão clara, que as áreas brancas percam a textura, como acima? Por que não?
O importante é ser deliberado. E para isso, é preciso dominar a câmera, para então, escolher se seu balde vai encher quase até a borda, se vai parar na borda ou se vai transbordar, e em que partes do quadro. Capisce?
E se você estiver usando flash fora da câmera, em modo manual, você deve estar ciente de que, na verdade, o medidor de luz da sua câmera mostra apenas a interpretação da câmera em relação à luz. Sua câmera não é dona da verdade, principalmente ao usar flashes fora da câmera. Ela não sabe onde está seu flash, nem a que distância do assunto, nem apontado para onde, nem em qual potência está regulado. Ela pode não saber nem se você está ou não usando flash! É o preço que se paga pelo controle que se ganha. Outra coisa que geralmente choca os novatos é que a velocidade de obturador não serve para cortar a luz do flash da mesma maneira que serviria para cortar a luz ambiente.
Não é todo mundo que gosta de usar flash, quanto mais fora da câmera. Não é muito prático mesmo, realmente. Mas se eu quisesse só praticidade, usaria logo uma cybershot, no modo automático, e mais nada.
Como eu não conheço nenhum outro jeito de se criar exatamente a luz que está na sua mente, aprendi a gostar dos danados dos flashes. Ao ponto de, ao chegar do trabalho, ao invés de desabar num sofá, eu resolver aprontar este circo na sala aqui de casa:

Estava testando a luz dessa armação com uma seda por detrás da "modelo." Ainda é um esboço em construção. À direita da câmera está meu DIY softbox, e à esquerda, um flash com meu DIY grid. À direita, o resultado, e minha modelo careca Vanuza, com super cara ruim de Sci-fi.
Treine, crie esquemas de luzes, entenda o comportamento da luz. Depois guarde tudo e vá dormir. Reze para acordar no outro dia como um ninja da iluminação.
Repita o procedimento todo dia, e me avise se funcionar!













































































